segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Para não ser uma narcisista

Saí do ventre da minha mãe, de uma maneira bastante alegre. Eu havia sido avisada por Deus que ela cuidaria muito bem de mim.
Diziam que eu era bem amada... E acredito. Eu sentia isso.
Com o passar do tempo, fui me tornando uma criança bem ativa. Corria muito. Aliás, minha mãe, a Mi, diz que eu corria e pulava dentro da barriga também.
Ah, já ia me esquecendo de dizer meu nome: Ana Sofia.
Já disse que sou amada, agora falta falar que amo muito também. Minha mãe e minha avó fazem tudo por mim.
Está bem! Falar que faz de tudo é muito amplo. Sim, eu sei palavras bonitas.
Para não falar amplamente sobre mim, vou explicar um pouquinho do amor que sinto.
Minha mãe faz tudo impulsivamente, não sei por que ela corre tanto, acho que é para parafrasear o amor que ela sente por mim. Cada impulso, um amor que explode.
Ela sabe me abraçar e me entende quando sinto a falta dela. Afinal, eu sou um pedaço dela, ou ela é um pedaço de mim?
Sei que ela chora quando não estou bem... Todos os filhos sabem.
Explicar o que mamãe sente por mim é algo que eu deveria perguntar para ela, mas ela vai me dizer que eu sei e sei mesmo. Imagine uma mulher porreta que corre a todo momento, mas me abraça, diz que me ama e cuida de todas as maneiras de mim.
Estou caindo no lugar comum, né, gente?
Mas amor de verdade foge do lugar comum?
O toque da pele da mamãe me faz lembrar de Deus. Sim, eu conheço Deus. Todos nós o conhecemos antes de nascer, depois passamos a senti-lo em outras pessoas.
Meus cabelos cacheados são envoltos e drasticamente emoldurados pelo pentear da força de uma rocha sensível e transcendental posta pela magnitude do amor de minha mãe e minha avó.
Buscar cada detalhe dentro de mim corre pelo sangue de uma virtude agitada e feliz.
Dizem que sou igual à mamãe, faço tudo correndo, sou impulsiva e, claro, tenho um amor e generosidade imensuráveis.
Deixarei somente isso sobre mim, para não parecer uma narcisista.



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